Professor emérito da USP e membro da Academia Brasileira de Letras, Alfredo Bosi foi um dos mais lúcidos, profundos e influentes intelectuais do Brasil na segunda metade do século XX e nessas primeiras décadas do século XXI.
Doutor em literatura italiana, foi na sua produção acadêmica voltada para a literatura brasileira que Bosi deixou sua marca profunda em nosso autoconhecimento como um país produtor de cultura. Suas obras “História Concisa da Literatura Brasileira” e “Dialética da Colonização” são livros fundamentais na formação dos profissionais de Letras, História e Comunicação de todo o Brasil.
Humanista, Alfredo Bosi defendia que a literatura exerce o papel fundamental de resistência: resistir à banalização, à automação e aos autoritarismos. A poesia, afirmou ele em “O Ser e a Poesia”, “resiste à falsa ordem, que, é, a rigor, barbárie e caos. (…) Resiste aferrando-se à memória viva do passado; e resiste imaginando uma nova ordem que se recorta no horizonte da utopia”.
Essa teimosa resistência ao horror e à desumanização foi discurso e prática na vida de Bosi, um atuante defensor dos Direitos Humanos, tendo sido presidente do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns e membro da Comissão de Justiça e Paz.
Alfredo Bosi foi também um exemplo de docente afetuoso e entusiasmado, de gentileza e acolhimento proverbiais entre os estudantes de Letras da Universidade de São Paulo, onde foi catedrático por 50 anos.
Em tempos tão difíceis como os de nosso contexto, as lições do professor Alfredo Bosi – a busca apaixonada pelo conhecimento humanizador e a resistência afetuosa – são preciosas lições. Dar-lhes continuidade será nossa homenagem.
(Texto de Bianca Campello
Professora de Literatura
1°, 2° e 3° ano – EM)